quinta-feira, outubro 04, 2012

Sombras na janela


A sombra na janela assombra-me. És tu, no contorno do pôr do sol e no barulho das luzes. Em todo o lado és tu com o teu sorriso que me chamas para junto. Dançamos no escuro (ou será que danço sozinha?) e dançamos tão bem e lutamos tão apaixonadamente que duvido se na verdade não me amas. Como é que se sabe? Como é que sabes quando estás com a pessoa certa? Como sabes se apenas não estás a desperdiçar o tempo com alguém que se vai virar e magoar-te outra vez? Como sabem todos eles quando arriscaram, tomaram a decisão? Fecho-me no meu canto, sinto que o meu círculo está muito fechado mas quem adicionar? Preciso de pessoas novas. Pessoas que fiquem felizes por mim, por te ter a ti e não quem fique preocupado. Todo o mal que fizeste é impossível de apagar e sem dúvida tremo de medo e fecho-te lá for a quando me lembro que podes voltar a fazer tudo novamente falando de um outro plano.
As respostas estão for a do meu alcance, não consigo ver o futuro (era tão mais fácil se conseguisse). Nao sei, arrisco. Arrisco a minha vida aqui, no momento em que aterras. Sim porque disto depende a minha vida física. De ti, da tua decisão, dependo eu. Mas posso continuar. Sei que sim. Se decidires que não me queres já não me dói. Disto depende a minha vida, de escrever, das palavras que jorram sem sentido e sem objectivo, disto sim dependo e par viver. Sem ti existo, não escrevo, não há palavras, minha musa inspiradora. E escrevo, as palavras vêm sem grande esforço coo antes e sinto-me viva novamente! Vivo! Respiro! Falo! E já não me estranho tanto como antes. É estranho o efeito que tens em mim...  

sexta-feira, dezembro 02, 2011

A queda de uma força da natureza


O sol brilhava no canto dos seus olhos. As estrelas eram, para ela, sempre comuns. A sua luz abafava-as. Ela era uma força da natureza. Nunca se deixava parar (parar é morrer), nunca se deixava vencer e nunca deitaria uma lágrima enquanto o mundo estivesse acordado. Mas ela sofria. Lutava com a dor que ninguém mais conhecia, lutava com o oceano que a rodeava enquanto ela era uma ilha e fazia tudo, queria ser tudo e, com ela, levava tudo, destruía tudo.
Ele chegou valsando. A sua vida era maior que a dela, a sua luz mais brilhante. Quando ele andava, mostrava-se para ela e no canto dos olhos da pequena o sol transformava-se no negro dele. A sua dor foi por ele apaziguada, felicidade foi semeada para crescer. Deitados ela viu o seu olhar e por aquela centelha de amor que neles cintilava se deixou apaixonar. Largou a sua luz, deixou-a ir viver noutro alguém e sem ele jamais soube viver, respirar até. Sentia-se tão confortável enroscada nos seus braços e sob o seu conselho, que não mais partiu. Ele partiu, foi e voltou, milhentas vezes... Ele enganou-a, mentiu-lhe e puxou-a mas ela sempre voltava, ela nunca se incomodava. Aquela centelha de amor ainda vivia no seu olhar e ele ainda era o sol no canto dos olhos dela, ele ainda a fazia sorrir, ainda a deixava a sonhar, nas provas da sua alegria. E isso era-lhe suficiente. A sua vida era tão fácil assim, encostada a ele, ao seu guia. Ele deixava-a ser apenas aquilo que ele queria que ela fosse e assim aprendeu a amá-la depois de todos os erros, depois de todas as falhas. Era duro com os erros dela mas compreensivo, sempre, com os que ele próprio cometia. Quando ela, sentia a sua força voltar, quando ele errava, só lhe restava levantar a voz, inchar e fingir que não ficava, a cada segundo, mais difícil de fazer passar as palavras por entre as lágrimas escondidas. Um abraço, o mundo parava, as lágrimas venciam e ele também. Ela não regressa ao assunto, ele esquece...
Ela carrega a sua dor novamente. Ele já não a aniquila, só a alimenta. Ajuda-a a sobreviver e a sua mágoa fica mais e mais forte com cada palavra dura que ele lhe dirige, com cada pedido que ela não consegue negar. A desconfiança rói-a de dentro para for a, o ciúme é-lhe já inato quando antes nem era parte dela. A mentira torna-se pesada demais e nada poderá voltar a ser o que era. E agora? O cristal foi quebrado, já nada é como um dia foi, quando passavam noites só a falar, quando o desejo era tanto que deixavam o mundo à espera só por mais um toque, só por mais um pouco de amor, mais um pouco de carinho. Agora, nada os sustenta a não ser a teimosia de parte a parte de se manterem juntos, nem que seja para provar ao mundo que estavam enganados.
Ela continua a levar com ela a mala e a dor, ele continua a deixá-la carregar tudo sozinha.  

sexta-feira, novembro 18, 2011

Vazio e frio


O espaço é vazio e frio, como costumeiro. Para o citar a ele “nem o quereria de outra maneira”. Eu também o sou, vazia e fria. Ele, a seu lado, sempre, no espaço vazio e frio, porque ele nunca se importou de morrer enregelado e eu sempre gostei de sentir neve a cair. Os cigarros, um segue-se ao outro, e com a droga misturada nem se sentem. E isto é só o primeiro episódio.
Uma bola de neve forma-se em fases: Primeiro, vem o som que a despolota. Depois, logo de seguida, o grito que a forma. Depois disso é quase impossível pará-la. Entra num ciclo tão vicioso que vicia, vicia naquele girar constante da roldana, sempre os mesmos erros, sempre a mesma cama, sempre as mesmas caras, o mesmo olhar na tua, as mesmas lágrimas na minha. Os mesmos olhos são os dela, que me olham e não me olham com pena e são verdadeiros e impossíveis de mentira. Talvez. Ou talvez ela seja como eu e por isso te atrai e só me mente enquanto eu lhe minto a ela também.
Primeiro episódio, a história da tua mão ocultando as minhas.

segunda-feira, novembro 07, 2011

You shot yourself in the foot again


E ele só lhe respondeu: Com um tiro no pé. E ela ali ficou, ela e o pé baleado com sal na ferida. Sal ou whisky, queimam igual mas ele sempre gostou do seu whisky. A linha entre o amor e o ódio é algo de muito ténue. Talvez...
Caminha, rua abaixo, e é, realmente, a única maneira que ela conhece de parar, é o mais semelhante a uma paragem completa. Parar é morrer. Morres um bocadinho mais de cada vez que o olhas? Então sim, ainda o amas.  

sexta-feira, outubro 07, 2011

Palavra e meia


O fumo mistura-se com as palavras, por vezes. O alcool com as acções. Os sussuros, por vezes, transformam-se em gritos quando isolados pelo som. Os gritos, por vezes, conseguem ser tão suaves quanto um sussuro. O tempo corre, é a única certeza que há na vida, o tempo corre e foge e quando dás por ti já quase um ano se passou e se ultrapassou. As desculpas são apenas palavras mas as acções já duram o seu tempo e já seriam suficientes. As lutas são interiores mas mostram-se no exterior, em alguns agressividade se forma, noutros uma raiva tão oculta que, por vezes, parece que nem existe. São de ti para ti mesmo, o amor contra os princípios ou o ódio que tens a ti mesma contra a verdade que sabes dizer mas não sabes provar. As provas estão escondidas nas acções mas as palavras magoam tanto ou mais até. A memória é traiçoeira por nunca guardar com tanta fidelidade o que nos fez mais feliz como guarda os nossos momentos mais tristes. As lágrimas são guardadas para o silêncio da noite porque de dia os olhos secos são muitos e todos veem bem demais. O amor não existe e quem não aceita esta dor na sua vida é ingénuo, apenas. Os homens convidam-te para as festas todas mas isso não quer dizer que sejam bons para ti. O amor não existe, lembra-te sempre. As barreiras quebram-se, os muros caiem mas voltam a erguer-se com uma meia acção desfeita e desculpa-me. O mundo desfaz-se em bolinhas de fumo porque, na verdade, nunca existiu. Os hóteis são só uma desculpa para parecermos outros, as férias também, as mudanças radicais igualmente. Os cafés são uma óptima desculpa para ver quem, para o bem dele e mal dela, não deveríamos ver. Os cigarros ajudam ao pensamento, quando o cérebro entra num círculo. Se não te dirigires directamente ao assunto e encriptares a informação “para bom entendedor meia palavra basta”.          

quarta-feira, setembro 21, 2011

À experiência

-Então, que tal foi o primeiro mês? - Pergunta ele, deitado na relva, com aquela sua expressão que ela apropriadamente batizara de “cara de sacana”.
Era a mesma que ele mostrava sempre que via maneira de a tramar apenas com palavras. Ela, deitada no seu estômago, sentia os segundos passarem, contava-os pela sua respiração. Inspira, expira. Ela sabia qual a resposta que ele procurava, ou talvez, no fundo, não soubesse. Por isso, respondeu-lhe como se ele não fosse ele, como se não o amasse, como se não sentisse a sua falta a todas as horas que o dia (e a noite) possui.
-Foi fixe.
-Já sabia que me ias responder assim – e sorriu, baixou a cabeça, fechou os olhos.
E ficaram-se por aí, o assunto morto para ele, vivo demais para ela. Os minutos que lhe restavam da sua companhia passou-os a reviver tudo o que passara desde que, há um mês atrás, tocara solo inglês, anunciando-se pretencente.
É incrível como por vezes tudo muda mas tudo fica tão na mesma.  

quarta-feira, agosto 10, 2011

A morte ardente de um maço Camel

Ela observa as estrelas no firmamento e um suspiro forma-se na garganta negra de fumo. O suspiro é, como sempre, apenas uma forma de evitar que as lágrimas caiam em cascata pela sua branca face. Fuma mais um cigarro desejando que o anel de fumo que acabara de enviar para o ar magicamente desaparecesse e em seu lugar ele se materializasse. É obsessivo, doentio e ridículo. Pelo menos é assim que ela vê a atitude que toma num momento de desespero. Deixa-se estar enquanto a noite se evapora, senta-se no chão, acende mais um cigarro e espera que o sono venha. Mas nunca vem, o sono assim como ele, e assim ela murmura.

- Hoje, porque as estrelas ainda brilham, porque a lua está cheia e porque a tua cara ainda me assombra, vejo o mundo mais claro.

Os cigarros, assim como os sonhos, morrem queimados e não há nada que a faça sentir confortável. O chão é duro, frio e ele já não se apresenta para lhe colocar a mão no ombro, para a puxar para perto de si e a fazer sentir “pertencente”. É pena, pensa, é pena que os sonhos morram e é pena que as pessoas também. Mais um cigarro e na verdade quem se queima e quem morre é ela que a cada dia tosse mais e a cada dia se sente mais fraca.

domingo, agosto 07, 2011

Loucura

Posso estar a imaginar coisas (nesta minha falta de sanidade mental é cada vez mais frequente, acredita) mas parece que o que escreves tem algures um toque de mim. Chama-me egocêntrica mas se assim não for, se na verdade me tiveres já esquecido, seguido em frente com essa tua vida, resto apenas eu para sentir a tua falta e talvez seja assim que, em mim, as saudades se manifestam.
Saudade... Tem sido algo demasiado presente na minha vida. O pior sentimento do mundo pois não há uma mágica fórmula para a fazer desaparecer. Combato-a com fotos de ti ( e dele e dela) e com comprimidos que me fazem não-pensar mas que também não me deixam ser feliz. Acho que, afinal, todos precisamos de alguém e eu, sendo tão pouco humana, cada dia mais bloco de gelo, não sou, por isso, excepção à regra.
Sinto a tua falta (e de toda a minha antiga vida)...

quinta-feira, junho 23, 2011

Verdade

Vocês que caminham sem destino, venda nos olhos e que ignoram o que, mesmo à vossa frente, se processa encham-se de coragem! Tirem a venda, abram os olhos e olhem em volta! Dêem-se a esse trabalho pois sem trabalho nada se consegue. Não basta sussurrarem, entre dentes, Corrupção, têm que gritá-lo dos telhados!
Duvidem de tudo o que vos dizem, até do que, na escola, vos ensinam. Questionem e quebrem a barreira erguida em redor da Verdade que os envergonha. Tenho espírito crítico, sejam inteligentes o suficiente para saberem quando vos enganam e cruéis o suficiente para, com bruteza, os desmascarar.
Quando tudo se tornar complicado, quando vos enterrarem em burocracia e vos olharem com um medo presente nos olhos, saberão que estão no caminho certo, que estão cada vez mais perto. Não desistam, por mais difícil que seja continuar. Lutem por aquilo em que acreditam, lutem pela Verdade, pela Liberdade! Insistam, sempre, descubram aquilo que, com mil cuidados, eles escondem. Tenham garra, força, coragem para enfrentar o mundo! Quando se sentirem à beira do abismo, prestes a rebentar, quando se sentirem tão exaustos que não conseguem sequer falar, sejam altruístas o suficiente para respirar fundo e não parar. Vão buscar força dentro de vocês mesmos e guiem-se por aquele farol sempre brilhante que é a Verdade.
E quando saírem vitoriosos, o orgulho será tanto, o alívio tão grande que não mais quererão parar.
Duvidem
Questionem
Critiquem
Insistam
Procurem pela Verdade enterrada na lama.

quinta-feira, maio 26, 2011

O quase tudo

Explicar-te tudo, tirar tudo cá para fora, tudo o que te quero dizer é, por vezes, uma tarefa que exige mais força de mim que o mundo exige de Atlas. Sempre me justifiquei, expliquei, falei melhor através de um papel, uma caneta porque a tinta escorre, fica marcada para sempre com tudo o que disse ou pensei dizer.
És algo de estranho, algo diferente. Não acreditas em nomes, não te importas com o falatório que provocas ao passar comigo, não me mentes, não me enganas (digo eu) e respiras calor, respiras afecto.
Mas tenho medo, um medo constante que brinca comigo com imagens macabras que dançam na minha mente. A tempesta começa, a tempesta cresce. Preocupo-me demais dirias. Eu sei... Mas todo este medo esconde um lado tranquilo, esconde a minha vontade de não te desapontar, de te manter perto de mim.
A tempesta cessa, tu olhas-me (o teu olhar sempre me disse tudo o que eu precisava de saber) e eu não consigo evitar sorrir. Dizes que as minhas constantes dúvidas te ofendem, te magoam mas se olhares mais perto verás que não passam de vãs promessas que faço a mim mesma tentando evitar algo já inevitável.
Agarraste-me (algo nada fácil de se fazer), rompeste a bolha envolvente, protectora (algo ainda mais difícil). Ao quebrar essa protecção tudo se mostra, todas as minhas falhas e fraquezas mas também tudo o que de bom em mim existe. Cabe-te a ti ainda saber se o bom compensa o mau.

domingo, maio 01, 2011

Dita...

Tentei escrever-te. Depois pensei que talvez não estivesses interessada em ouvir-me.
Todos os dias falo de ti, com ele, com ela, alternados. Estás sempre presente, sempre comigo, carrego-te aos ombros pois a tua dor arde-me na pele.
Podia dizer as saudades que sinto quando penso que não mais poderei falar-te, discutir contigo ou estar (sequer) perto de ti.
Com pés de lã escrevo. Não quero dizer nada que te ofenda. Já chega de gritar na rua, de lavar a loiça suja.
Devo dizer, Dita, que nunca na vida encontrei alguém como tu. Nem voltarei a encontrar.







Perdoa-me pois nos seus braços encontrei a felicidade, os braços que outrora te rodeavam.

domingo, abril 17, 2011

Incompleto

Nada me sai bem. Linhas e linhas, parágrafos inteiros com um único tema: Tu. Nada me sai bem. Não consigo terminar a escrita porque há sempre algo mais para dizer (descrever-te por palavras é difícil). É incrível como a vida continua tão pacificamente como antes, incrível como nada denuncia a tua ausênsia sem ser o meu olhar preso no firmamento estrelado. Eles dizem-me que pareço outra, que tenho um novo alento, que pareço melhor. Referem-se ao meu sorriso que tu provocas de cada vez que me telefonas de além-mar ou de cada vez que penso em ti, no teu regresso. Acho que me conseguirias fazer feliz, talvez, mesmo que fosse temporariamente.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Trevas

“A vida é feita deste ou daquele pormenor”, pensava enquanto na sua casa fria, escura e húmida punha a mesa para o jantar. “Ele é um morto-vivo que já não me pretence”, repetia ela vezes sem conta para o ar. Falava dele como quem fala para uma confidente e o seu confidente era a negra escuridão que avançava sobre ela e a rodeava mesmo quando o sol brilhava. Contava histórias, repetia o que, naquela noite, ele lhe tinha prometido e reflectia rodeada pelas sombras na parede. Relembrava o seu toque, revivia o seu fogo e na eterna noite que a escondia e protegia ela admitia, “apaixonei-me por ele”.
Por trás do seu véu, por trás dos seus olhos de gelo, algo palpitava e tentava viver. Uma réstia do que ela tinha um dia sido, aquela alma inocente que antes a iluminava. Reduzida, perdida a luz, arrancada do seu âmago e espezinhada.
“Nada será como foi e nada foi como amanhã será” dizia porque ele o dizia, o sussurava ao seu ouvido quando ela morria nos seus braços e lhe confessava que não queria viver. E aquelas palavras davam-lhe esperança, força para enfrentar mais um dia e lutar . Mas todos os dias eram uma interminável luta e na escuridão ela não o via mais, não via o seu sorriso, os seus olhos, não via a luz ao fundo do túnel. Via negro, tudo negro em seu redor e nada mais.
- Será que vale a pena lutar outra vez?
As trevas são como areias movediças, nunca conseguimos sair de lá sozinhos, só nos enterramos mais. Ele não estava lá para a tirar das trevas e ela continuava a afundar-se. O telefone não tocava, a campainha também não. As suas lágrimas caiam, em silêncio, na madeira fria e nada a faria regressar.

quinta-feira, setembro 30, 2010

Sangue, Suor e Lágrimas

Cada dia que passa sinto a minha força a esvair-se. Esgota-me, tudo me esgota e este é um trabalho ingrato. Não há recompensas, não há palmadinhas nas costas nem nunca ninguém nos diz que fizemos um bom trabalho. É um monstro insaciável esta organização tão viva que parece que respira connosco. Nasceu do nosso sangue, das lágrimas de tantos outros antes de nós e do suor dos que sentiram na pele a dor cortante de desiludir alguém. O nosso trabalho nunca é suficiente, nunca acaba e há sempre alguém que pede mais, que quer mais. Com o passar das horas, com o passar dos dias, mês após mês nada muda e cada vez mais sinto a minha força a esvair-se. “Perfeição, temos que atingir a perfeição!” todos gritam mas ninguém sabe bem para quê. Para quê tanto trabalho afinal?
Não consigo sentir aquele objectivo, a meta final como todos eles. Só vejo um grupo e o seu líder, só vejo sangue, suor e lágrimas, só vejo ódio e insultos gritados para o ar. Sinto-os errados, vejo-os drenados de pensamento próprio e sei que a causa a cada dia cresce e engole tudo como uma tempestade engole uma cidade. Pensem no que isto é na verdade, pensem. Para que trabalhamos?

sexta-feira, julho 09, 2010

O Sonho

Ela acordou naquela manhã a pensar que tudo tinha sido um sonho. Passou a mão pelo seu cabelo e rápido como um relâmpago toda a noite anterior lhe passou defronte dos olhos. “Estás sempre no sítio errado à hora errada, Sofia” pensou. Se ela se tivesse demorado mais a tomar o seu café nunca se teria cruzado com aquela criatura, nunca teria parado para lhe falar, nunca teria passado a noite com ela e nunca se teria apaixonado. O nome dela pulsava-lhe na mente como uma música, ficou no ouvido. Acordes de letras combinados para a formarem a ela, ela que hipnotizara Sofia com os seus lábios cheios e olhos castanhos.
Sofia abriu os olhos e à sua direita viu-o. Amaldiçoou o seu corpo nú por ser masculino e não feminino, por não ter as curvas dela. Não podia suportá-lo subitamente... Levantou-se, saiu com desprezo da cama deles onde tantas noites haviam passado em alegria e amor. Vestiu-se, calçou-se e saiu de casa. Procurava-a para lhe dizer que a amava. Andou e andou, percorreu quilómetros à procura dela, da freak que a tinha deixado assim. Horas passaram e o sol elevava-se no céu. Finalmente, ao longe Sofia avistou-a. Correu para ela apenas para a ver acompanhada. A ele, Sofia também o conhecia e a partir daquele momento odiava. Os lábios daquele homem colavam-se aos da sua musa e apesar de tudo Sofia não conseguia desviar o olhar. Ela tocava-lhe a face num gesto de carinho tão sincero que não podia ser mentira. Tudo tinha sido em vão. Ela nunca amaria Sofia, nunca quereria estar com ela, nunca a desejaria. Sofia virou costas e caminhou lentamente de volta a casa, de volta ao conforto do seu leito onde a seu lado ele repousava. Nunca mais seria a mesma....

segunda-feira, julho 05, 2010

Here I go again...

Ela caminhava como se o mundo todo lhe pertencesse. Não era um andar pretencioso, era apenas despreocupado. Caminhava lado a lado com ele e exibiam-se pela rua como dois marinheiros despedaçados. Parecia feliz, uma felicidade verdadeira e agora enquanto penso, algo me enfrenta.
Ela era bela e dela vinha uma luz tão pura como a luz da lua que brilhava. O cabelo longo, estranho, colorido e emaranhado fez-me sorrir. “Não me penteio há três anos” dizia ela e eu ri-me e ela riu-se, um riso belo e aquele olhar de felicidade sempre presente. Tinha uma energia contagiante e ela será para sempre a minha alma gémea. Os lábios carnudos, convidadtivos chamavam-me e os seus olhos smicerrados sempre me encantaram. Bastou isto... Estou encantada para a vida.
Algo me enfrenta, ciúmes... Ciúmes daquele que a tem, daquele que está com ela e que não a merece.
Será que algum dia a vou ter?

sábado, outubro 31, 2009

Reclamação a Deus

Excelentíssimo Senhor Deus,
Desde que nasci sempre acreditei em Vossa Excelência e que o seu trabalho na terra era positivo e proveitoso para a população. Contudo, à data de 4 de Dezembro de 2004 apercebi-me que tinha sido enganada por Vossa Excelência.
Assim, venho por este meio reclamar da publicidade enganosa e crenças falsas que Vossa Excelência impõe à população da terra. Segue-se uma lista de algumas das burlas por si distribuídas começando pela verdade duvidosa da existência de Vossa Excelência.
a) Às pessoas boas só virá bem.
b) Deus é amor.
c) Se a sua conduta for respeitável e nada de mal fizeres ou pensares terás um lugar no Paraíso.
d) Criacionismo ou o mito do Génesis é um insulto ao pensamento colectivo desta nossa sociedade
Exijo, em nome de todos os crentes atacados ferozmente com morte, doença ou qualquer outra calamidade, um pedido de desculpas formal em público. Se se recusar a cumprir com esta compensação avançarei com um processo criminal por burla.
Atenciosamente,
Mariana Guerra

quarta-feira, agosto 19, 2009

Estrelas

E que verdade haverá no meio deste ardente Inferno? Tu doís, eu doo e nada é o que parece nesta casa de enredos fantasiosos. As estrelas brilham enquanto os corpos que amamos caiem lívidos e batem no chão com um baque surdo. Baque, rapaz, e bate no fundo da tua alma que se calhar ele não respira mais, que se calhar ele não vive mais. Tudo mudou apesar de as estrelas ainda brilharem no topo do nosso mundo.
Bem-vindo ao Clube...

terça-feira, junho 23, 2009

Ao meu amor...

Procurei na Internet palavras bonitas que te pudesse sussurar serenamente ao ouvido enquanto me envolvias no teu corpo quente. Não encontrei uma única e tudo o que te quero dizer ficou selado na minha mente sem sons para empurrar pelo abismo da verbalização de sentimentos.
Procurei pelos livros pensamentos amorosos que pudesse fingir serem meus. Uma vez mais, busca vã. Encontrei nada nas páginas empoeiradas e o esboço da minha imaginação ficou sem alicerce e assim a casa ruíu.
Procurei pelas ruas alguém que me explicasse qual o significado do amor. Cavei no fundo das almas das pessoas durante dias sem fim, examinei toda a bondade em cada coração, dissequei todo o afecto que consegui achar e contudo não descobri aquilo a que chamam de amor.
Voltei para casa, para o meu castelo, o meu pequeno lar e tu esperavas-me sentado à lareira, lias um livro. Entendi, então aí, olhando nos teus olhos castanhos que talvez não precisasse de belos termos ou de pensamentos apaixonados. Nem sequer precisava de conhecer a definição de amor. Tinha-te a ti...
E tu és tudo o que necessito.

sábado, junho 20, 2009

Antónimos

E talvez a verdade seja toda esta realidade que te atiro aos olhos. Não me finjo mais que isto que sou (que tristeza de vida). E ainda assim a realidade está quase sempre errada.
És o meu melhor sonho e o meu pior pesadelo (como aguentas ser tão torturantemente confuso?). Amor adolescente construído sobre uma nuvem de fantasias e sexo, relações prematuras, fantasmas nos corações jovens. E já nem se joga joguinhos como crianças, já não se brinca às casinhas e gostava de poder encarar isto com mais seriedade. Esgotei toda a fé que tinha...
Confiei cegamente numa visão futurista de “um dia talvez” e todas as minhas histórias começavam por “um dia talvez” (como odeio essa expressão). E desconcentrada do presente não via como a minha vida já tinha começado (sem mim).
És tudo para mim (sentes o peso da responsabilidade?)...