O espaço é vazio e
frio, como costumeiro. Para o citar a ele “nem o quereria de outra
maneira”. Eu também o sou, vazia e fria. Ele, a seu lado, sempre,
no espaço vazio e frio, porque ele nunca se importou de morrer
enregelado e eu sempre gostei de sentir neve a cair. Os cigarros,
um segue-se ao outro, e com a droga misturada nem se sentem. E isto é
só o primeiro episódio.
Uma bola de neve
forma-se em fases: Primeiro, vem o som que a despolota. Depois, logo
de seguida, o grito que a forma. Depois disso é quase impossível
pará-la. Entra num ciclo tão vicioso que vicia, vicia naquele
girar constante da roldana, sempre os mesmos erros, sempre a mesma
cama, sempre as mesmas caras, o mesmo olhar na tua, as mesmas
lágrimas na minha. Os mesmos olhos são os dela, que me olham e não
me olham com pena e são verdadeiros e impossíveis de mentira.
Talvez. Ou talvez ela seja como eu e por isso te atrai e só me mente
enquanto eu lhe minto a ela também.
Primeiro episódio, a
história da tua mão ocultando as minhas.
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