sexta-feira, dezembro 02, 2011

A queda de uma força da natureza


O sol brilhava no canto dos seus olhos. As estrelas eram, para ela, sempre comuns. A sua luz abafava-as. Ela era uma força da natureza. Nunca se deixava parar (parar é morrer), nunca se deixava vencer e nunca deitaria uma lágrima enquanto o mundo estivesse acordado. Mas ela sofria. Lutava com a dor que ninguém mais conhecia, lutava com o oceano que a rodeava enquanto ela era uma ilha e fazia tudo, queria ser tudo e, com ela, levava tudo, destruía tudo.
Ele chegou valsando. A sua vida era maior que a dela, a sua luz mais brilhante. Quando ele andava, mostrava-se para ela e no canto dos olhos da pequena o sol transformava-se no negro dele. A sua dor foi por ele apaziguada, felicidade foi semeada para crescer. Deitados ela viu o seu olhar e por aquela centelha de amor que neles cintilava se deixou apaixonar. Largou a sua luz, deixou-a ir viver noutro alguém e sem ele jamais soube viver, respirar até. Sentia-se tão confortável enroscada nos seus braços e sob o seu conselho, que não mais partiu. Ele partiu, foi e voltou, milhentas vezes... Ele enganou-a, mentiu-lhe e puxou-a mas ela sempre voltava, ela nunca se incomodava. Aquela centelha de amor ainda vivia no seu olhar e ele ainda era o sol no canto dos olhos dela, ele ainda a fazia sorrir, ainda a deixava a sonhar, nas provas da sua alegria. E isso era-lhe suficiente. A sua vida era tão fácil assim, encostada a ele, ao seu guia. Ele deixava-a ser apenas aquilo que ele queria que ela fosse e assim aprendeu a amá-la depois de todos os erros, depois de todas as falhas. Era duro com os erros dela mas compreensivo, sempre, com os que ele próprio cometia. Quando ela, sentia a sua força voltar, quando ele errava, só lhe restava levantar a voz, inchar e fingir que não ficava, a cada segundo, mais difícil de fazer passar as palavras por entre as lágrimas escondidas. Um abraço, o mundo parava, as lágrimas venciam e ele também. Ela não regressa ao assunto, ele esquece...
Ela carrega a sua dor novamente. Ele já não a aniquila, só a alimenta. Ajuda-a a sobreviver e a sua mágoa fica mais e mais forte com cada palavra dura que ele lhe dirige, com cada pedido que ela não consegue negar. A desconfiança rói-a de dentro para for a, o ciúme é-lhe já inato quando antes nem era parte dela. A mentira torna-se pesada demais e nada poderá voltar a ser o que era. E agora? O cristal foi quebrado, já nada é como um dia foi, quando passavam noites só a falar, quando o desejo era tanto que deixavam o mundo à espera só por mais um toque, só por mais um pouco de amor, mais um pouco de carinho. Agora, nada os sustenta a não ser a teimosia de parte a parte de se manterem juntos, nem que seja para provar ao mundo que estavam enganados.
Ela continua a levar com ela a mala e a dor, ele continua a deixá-la carregar tudo sozinha.  

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