Explicar-te tudo, tirar tudo cá para fora, tudo o que te quero dizer é, por vezes, uma tarefa que exige mais força de mim que o mundo exige de Atlas. Sempre me justifiquei, expliquei, falei melhor através de um papel, uma caneta porque a tinta escorre, fica marcada para sempre com tudo o que disse ou pensei dizer.
És algo de estranho, algo diferente. Não acreditas em nomes, não te importas com o falatório que provocas ao passar comigo, não me mentes, não me enganas (digo eu) e respiras calor, respiras afecto.
Mas tenho medo, um medo constante que brinca comigo com imagens macabras que dançam na minha mente. A tempesta começa, a tempesta cresce. Preocupo-me demais dirias. Eu sei... Mas todo este medo esconde um lado tranquilo, esconde a minha vontade de não te desapontar, de te manter perto de mim.
A tempesta cessa, tu olhas-me (o teu olhar sempre me disse tudo o que eu precisava de saber) e eu não consigo evitar sorrir. Dizes que as minhas constantes dúvidas te ofendem, te magoam mas se olhares mais perto verás que não passam de vãs promessas que faço a mim mesma tentando evitar algo já inevitável.
Agarraste-me (algo nada fácil de se fazer), rompeste a bolha envolvente, protectora (algo ainda mais difícil). Ao quebrar essa protecção tudo se mostra, todas as minhas falhas e fraquezas mas também tudo o que de bom em mim existe. Cabe-te a ti ainda saber se o bom compensa o mau.
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