A ti que estiveste sempre lá precisamente onde eu não te conseguía ou não queria ver. A ti que não achas estranho quando eu digo coisas sem nexo. A ti que não te ris de mim quando eu caio, ris-te comigo e ajudas-me a levantar. A ti que nunca me traíste. É graças a ti que eu ainda tenho uma pequena partícula de bondade em mim. A ti que nunca desististe de nós. A ti que não te cansas de me tentar convencer de que és aquele que eu queria, que eu precisava. A ti que não precisavas de mais, que estavas satisfeito com o que tinhas, um mero vestígio.
A mim que estive lá sempre bem à tua frente para me puderes ver. A mim que te trai vezes e vezes sem conta num desfile interminável de figuras sombreadas. A mim que desisti ao primeiríssimo sinal de racha, de defeito. A mim que me cansei de te ouvir. A mim que quero sempre mais, melhor. A mim que preciso de atingir a excelência e que sonho com a perfeição.
A ele que entrou de repente na minha vida. A ele que não atura quem eu sou. A ele que gosta de me ver em cima dele, fá-lo sentir-se importante. A ele que me faz vestir de preto. A ele que se ri de mim quando eu digo que me vou embora. A ele que nunca chorou por mim mas que chora todas as noites por ela. A ele que beija com tal paixão que me faz pensar se não me amará. A ele que nunca poderei considerar assunto acabado.
Ao outro que era puramente físico. Ao outro que tem várias. Ao outro que é igual a mim. Ao outro que lê efectivamente as coisas que eu escrevo. Ao outro que estava lá quando eu precisava, sempre. Quando me ia abaixo, quando precisava que me ajudassem. Ao outro que é tão mais do que aparenta ser. Ao outro que parece ser um rufia. Ao outro que tem um encanto próprio.
A todos que são iguais a tudo e diferentes de tantos.
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