sábado, novembro 24, 2007

Vida

Como pudeste fazer isto? Como pudeste estragar a tua vida desta maneira? Deixaste-te deslumbrar, afectar, mudar, alterar. Alterações profundas neste mundo que conhecias, alterações profundas na pessoa que és, que eras, que acreditavas ser. Não és humana, não és nada.

Não te lembras da última acção correcta que tiveste. Não te lembras da última vez que foste honesta. Em 15 anos já esgotaste toda a vida que tinhas para viver. És desonesta, promíscua, não te sabes controlar, comportar, és nada. Não existes. Viveste intensamente, disso ninguém duvida. É triste ver que não tens mais para experimentar.

És pior que tudo o resto, que todos os outros. Quando eles se sentem negros olham para ti e sabem que a sua vida negra não passa de uma tonalidade de cinzento.

Eles têm razão sabes? Tens que te endireitar. Não só por ti mas pelos outros. Por aqueles que só querem o melhor para ti e que os entristece ver-te assim, arrastada pela lama.

O teu nome anda nas ruas da amargura. Bem sabes o que dizem de ti. Talvez secretamente concordes com eles. Revoltas-te, gritas, perguntas porque falam de ti, porque não arranjam uma vida. Tudo fachada. Chegas a casa, revês o que fizeste, o que disseram, o que aconteceu. Nunca te sentes culpada. Acreditavas que a culpa pertencia a outro.

Tens um estranho dentro de ti. És alguém que não reconheces quando te olhas ao espelho. Apagaste o que de bom restava de ti. Aquelas fotos que queimaste com aquele isqueiro vermelho e o teu olhar de louca eram tudo o que de bom tinhas. Com um cigarro na boca viste-as arder, voar no ar frio da noite.

Choras à noite quando pensas que ninguém te vê. Choras por ti, pelo que eras, pelo que podias ter sido se não tivesses feito o que fizeste. Onde estarias agora? Quem serias? Perguntas sem resposta num mundo imenso, imensamente confuso.

Tens uma memória distante daquela pessoa que eras quando eras pequena. Aquela que não sabia o que era viver. Aquela que se corrompeu. Aquela que não sabia que iria acabar assim. Aquela que não te importavas de voltar a ser.

O que vais fazer agora? Não podes voltar atrás, apagar o que fizeste. Não podes voltar a ser quem eras. Tens que andar para a frente, contra tudo e todos, tão sozinha como antes. Talvez consigas, talvez não. Não sei. Não quero saber. Acabei.

1 comentário:

Dark Angel...! disse...

woow mary aconteceu alguma coisa por ai?

o ppl anda com saudades... eu agr ando a tirar comida do prato da paty xD

juizo !!

beijos, D.A.