sábado, junho 02, 2007

A aula



Estavam numa sala de aulas. Paredes brancas, chão de linóleo e uma porta castanha com vidros espelhados. Havia três janelas com persianas brancas puxadas para cima. Apesar disso a luz estava acesa. Havia uma imensidão de malas coloridas no chão perto do quadro negro. Todas parecidas, todas diferentes. Não se ouvia um som. Sentia-se a tensão, os músculos retesados, os olhos vítreos. A professora corrigia testes. Sentados nas cadeiras cinzentas estavam alunos. Contei 18 raparigas, 2 rapazes. Nada parecia existir para além daquela sala. Ninguém se movia. De vez em quando trocavam olhares de alguém condenado à morte. Cansados, mortos, como se nada valesse a pena. Olhares fugazes e fugitivos. Não significavam nada. Talvez morreriam. Não sei.
Uma bela rapariga loira cai. Ninguém parece reparar. Parece morta. Não respira, não se move. Outra rapariga cai. Uma morena com cabelo negro como as asas de um corvo. Um por um todos caem. Fica a professora a corrigir testes sem notar, sem olhar a sua turma inanimada. O vento sopra mas as janelas estão fechadas. As luzes apagam-se e o sol esconde-se. O vento sopra com mais intensidade. Os alunos desmaiados desaparecem. Os livros, os testes, os estojos, as mochilas coloridas. Tudo desaparece, tudo se evapora. Fica a professora. Levanta-se. Sinto uma rajada de vento e subitamente morro.

1 comentário:

Dark Angel...! disse...

bem a 1a parte e tp a turma s bem k...lol bacana...1 bekes melancolico e repetitivo cas mortes ,desmaios mx bacano...:/