O extremo sendo o final de tudo poderia representar a vida dela. Devido ao que havia visto tempos atrás desejava agora ser cega e vivia como moribunda, caída vítima de uma doença terminal. Mas para isto não há grupos de apoio. Refugiada de uma guerra que não é dela enrola-se sobre si própria, o corpo protegendo a alma e tenta dormir. Luta contra o extremo sendo este o final de tudo e não vê nada de bom. No geral, é uma questão de matar ou morrer e ela recusa-se a matar.
Joga roleta russa, diverte-se exprimentando a arma e a sua casa é como uma toca, rude mas suficiente, escavada na terra, o seu santuário. Roda a câmara outra vez, aponta a arma à cabeça e dispara sem hesitação, aperta o gatilho. Este espectáculo macabro passa-se na rudeza da toca e as paredes bejes têm escritos a sangue. “Morfina, dá-me morfina, talvez alivie esta impressão de queda em vácuo” numa caligrafia macarrónica representada na parede, meio escorrida, meio fixa e o sangue já secou. Ela abre os olhos, não querendo ver o bater do coração ainda forte e percebe com indiferença “ainda estou viva”. Não sente nada em relação a isso, viva ou morta tanto faz, tanto faz para toda a gente. As imagens voltam a assombrá-la, pequenos flashes de memórias sórdidas. Mal se consegue mexer e cai ao tentar alcançar a seringa, a agulha. No seu desespero por esquecer deixou de fumar para ganhar outros hábitos piores. “Acho que hoje foi um dia importante em tempos...” fala para a parede e lê a frase vezes sem conta, repetindo-a em si mesma. Encontra a veia e espeta a agulha, alívio líquido directo para a corrente sanguínea. Espera pelo efeito mas esse recusa-se a vir e cavalo já não lhe faz nada.
Roleta russa novamente e desta vez joga até morrer. Fartou-se da frase escrita na parede “morfina, dá-me morfina, talvez alivie esta impressão de queda em vácuo”e roda a câmara, arma à cabeça encostada ao cabelo negro, oleoso e disparou sem hesitar, apertou o gatilho. Vezes sem conta repetiu o ritual, repetiu a frase e parecia não estar destinada a morrer. A trespassar-se com a única bala que lhe resta, quem lhe mandou disparar às árvores? Ninguém lhe respondeu porque ninguém lhe mandou nada, ela tinha apenas querido afugentar o mundo, rodar a câmara, apontar ao céu e disparar sem hesitação, apertar o gatilho vezes sem conta. Ficou apenas com aquele pedaço de chumbo e agora rodava a câmara novamente mas desta vez certificar-se-ia de que morria, alvejada. Rodou-a com cuidado, trancou-a bem trancada e apontou. Contra a cabeça mais uma vez. É simples, “morfina, dá-me morfina, talvez alivie esta impressão de queda em vácuo”, dispara com apenas uma ponta de hesitação, aperta o gatilho e o mundo apagou-se. Cai no chão em frente à frase escrita a sangue e deixa de respirar.
O extremo sendo o final de tudo poderia representar a morte dela. A toca, vazia, sem vida agora, apesar de já antes não a ter em abundância. Ela deitada no chão e tudo termina com o sangue que jorra do furo no seu âmago.
Joga roleta russa, diverte-se exprimentando a arma e a sua casa é como uma toca, rude mas suficiente, escavada na terra, o seu santuário. Roda a câmara outra vez, aponta a arma à cabeça e dispara sem hesitação, aperta o gatilho. Este espectáculo macabro passa-se na rudeza da toca e as paredes bejes têm escritos a sangue. “Morfina, dá-me morfina, talvez alivie esta impressão de queda em vácuo” numa caligrafia macarrónica representada na parede, meio escorrida, meio fixa e o sangue já secou. Ela abre os olhos, não querendo ver o bater do coração ainda forte e percebe com indiferença “ainda estou viva”. Não sente nada em relação a isso, viva ou morta tanto faz, tanto faz para toda a gente. As imagens voltam a assombrá-la, pequenos flashes de memórias sórdidas. Mal se consegue mexer e cai ao tentar alcançar a seringa, a agulha. No seu desespero por esquecer deixou de fumar para ganhar outros hábitos piores. “Acho que hoje foi um dia importante em tempos...” fala para a parede e lê a frase vezes sem conta, repetindo-a em si mesma. Encontra a veia e espeta a agulha, alívio líquido directo para a corrente sanguínea. Espera pelo efeito mas esse recusa-se a vir e cavalo já não lhe faz nada.
Roleta russa novamente e desta vez joga até morrer. Fartou-se da frase escrita na parede “morfina, dá-me morfina, talvez alivie esta impressão de queda em vácuo”e roda a câmara, arma à cabeça encostada ao cabelo negro, oleoso e disparou sem hesitar, apertou o gatilho. Vezes sem conta repetiu o ritual, repetiu a frase e parecia não estar destinada a morrer. A trespassar-se com a única bala que lhe resta, quem lhe mandou disparar às árvores? Ninguém lhe respondeu porque ninguém lhe mandou nada, ela tinha apenas querido afugentar o mundo, rodar a câmara, apontar ao céu e disparar sem hesitação, apertar o gatilho vezes sem conta. Ficou apenas com aquele pedaço de chumbo e agora rodava a câmara novamente mas desta vez certificar-se-ia de que morria, alvejada. Rodou-a com cuidado, trancou-a bem trancada e apontou. Contra a cabeça mais uma vez. É simples, “morfina, dá-me morfina, talvez alivie esta impressão de queda em vácuo”, dispara com apenas uma ponta de hesitação, aperta o gatilho e o mundo apagou-se. Cai no chão em frente à frase escrita a sangue e deixa de respirar.
O extremo sendo o final de tudo poderia representar a morte dela. A toca, vazia, sem vida agora, apesar de já antes não a ter em abundância. Ela deitada no chão e tudo termina com o sangue que jorra do furo no seu âmago.
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